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Turnê a 12.000km da crise: Temer se distancia do delator Joesley Batista
19/06/2017

O presidente da República, Michel Temer, resgata, hoje, missões diplomáticas e comerciais com o exterior. Uma clara etapa na tentativa de fortalecimento da imagem do governo federal. Após a vitória no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o peemedebista embarca para a Rússia e a Noruega com a missão de mostrar que o país não parou e segue como porto seguro para investimentos. Temer deixa o Brasil no mesmo dia em que deve processar o empresário Joesley Batista, dono da JBS. Ontem, o presidente se reuniu com ministros para detalhar a estratégia que será posta em prática no Congresso com a chegada da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prevista para os próximos dias.

A viagem é a primeira de Temer desde que esteve em Lisboa, em 10 de janeiro. De lá para cá, o presidente viveu altos e baixos, mas segue de pé e procurando mostrar trabalho, apesar do aprofundamento da crise. Se por um lado a delação de Joesley Batista, sócio da J&F — uma das duas maiores processadoras de carne do mundo —, provocou uma hecatombe na República, por outro, o presidente quer passar a imagem de que os efeitos não minaram a força política do governo.

Ao lado de comitiva composta por auxiliares e parlamentares, Temer ressaltará alguns pontos: conseguiu manter o PSDB na base aliada; a inflação no acumulado em 12 meses se encontra no menor patamar desde maio de 2007 — e que fechará abaixo do centro da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN); a taxa básica de juros (Selic) ficará abaixo de dois dígitos, o que reduz o custo de investimento; a reforma trabalhista se encontra no Senado, com chances de ser aprovada; e a da Previdência pode ser votada na Câmara antes do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho.

Com as medidas macroeconômicas sendo adotadas para recolocar o país nos trilhos, aliadas ao argumento de fortalecimento político pós-TSE, Temer pretende voltar a mostrar que, do ponto de vista diplomático, quer atuar. Ele sabe que, para provar ao mundo a capacidade do governo em permanecer no governo até 2018, precisa marcar presença nas agendas internacionais. A visita à Rússia, por exemplo, encorpa o ciclo de visitas feitas a países do Brics, grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Desde quando assumiu a Presidência, em 2016, ele visitou sete países: China; Estados Unidos; Argentina; Paraguai; Índia; Japão; e Portugal. Após a visita à Rússia, faltará uma viagem à África do Sul para completar o ciclo. E essa visita não deve estar longe, avalia o analista político Lucas Fernandes, do Barral M Jorge Consultores Associados. “O governo está em vias de finalizar a reforma trabalhista na Câmara. Com a implementação de uma das reformas, que é uma das principais metas do governo, Temer pode começar a se preocupar mais com o cenário internacional, sobretudo em relação aos investimentos”, avalia.

A retórica do governo de tirar o país da crise passa pelas relações comerciais com o mundo, reforça Fernandes. “Será um papel importante procurar novas parcerias e começar saindo desse caos. Até o momento, só havia aprovado (de mais relevante) a PEC do teto dos gastos. Com a aprovação da reforma trabalhista, Temer começará a ter outros horizontes a se preocupar com a percepção internacional do Brasil”, pondera.

A tempo da denúncia da PGR também é levado em conta. “Entendo que ele não quer viajar como um presidente denunciado”, avalia. “A viagem neste momento o coloca como um presidente em plena posse das funções administrativas que tem.”

O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo na Câmara, que estará na comitiva com o chefe do Executivo Federal, mostra confiança de que o governo deixará uma boa impressão. “Por que as corporações milionárias estão em campanha violenta contra Michel? Porque, pela primeira vez, elas estão sendo enfrentadas e estão perdendo com o andamento das discussões das reformas.

Perondi admite que, com a viagem, ainda que em meio a uma crise política, Temer pretende passar o tom de que o país segue funcionando. “É uma crise fabricada por fabricantes de crise. A ida dele mostra que não há risco nenhum em sair do país. Vai procurar investidores para superar a tragédia do desemprego. Ele está em paz e tranquilo”, destaca.

Na chegada à Rússia, Temer participa de reunião com investidores e falará sobre reformas que “modernizam a economia brasileira”. A Rússia, destaca a Presidência, é um país-chave para o desenho e a configuração da ordem internacional. “O diálogo estratégico é parte da defesa da diplomacia brasileira por uma ordem internacional multipolar. Os países mantêm diálogo privilegiado em foros como o G20 e o BRICS”, destaca Temer, em nota.

 

Comércio em jogo

Na Rússia, Michel Temer se reunirá com autoridades do Executivo e do Legislativo da Rússia, como o próprio presidente Vladimir Putin, o primeiro-ministro Dmitry Medvedev, com a presidente do Conselho da Federação, Valentina Matvienko, e com o presidente da Duma de Estado, Vyacheslav Volodin. O país é estratégico para o Brasil. Entre janeiro e maio, o volume de exportações de mercadorias brasileiras somou um total de R$ 1,08 bilhão, o que representa um aumento de 24,8% em relação a igual período do ano passado.

Na Noruega, os discursos não serão diferentes dos apresentados aos russos. Temer se reunirá com investidores para falar das “oportunidades abertas pelas reformas em curso”. O país, por sinal, já é oitavo maior investidor estrangeiro no Brasil, com forte presença no setor de energia. O chefe do Executivo Federal se encontrará com o Rei Harald V, com a primeira-ministra Erna Solberg e com o presidente do Parlamento norueguês, Olemic Thommessen.

 

A pauta econômica

Após mais de cinco meses, Temer volta a fazer uma viagem internacional:

 

Roteiro

Temer ficará fora do país por quatro dias. Ele embarca hoje em um percurso de 12.282km até Moscou, capital da Rússia. Lá, permanecerá por quase dois dias. Na quarta-feira, ele se deslocará para Oslo, capital da Noruega, em um trajeto de 1.643km. Somente na sexta-feira, Temer volta a Brasília, em um itinerário de 9.941km.

 

Simbologia

A viagem tem uma representatividade importante, afinal, desde que assumiu a Presidência, Temer foi apenas a sete países. Com a ida à Rússia, Temer visitará o quarto parceiro do BRICs. Faltará uma ida apenas à África do Sul. E o embarque para o exterior ocorre justamente em um momento delicado, de crise política.

 

Recado

Embora Temer garanta que a viagem tem como tema central o estreitamento de relações de comerciais, a comitiva do presidente admite que, como pano de fundo, o governo quer mostrar que está trabalhando. Apesar da crise política, a intenção é mostrar que não há riscos e que os investidores estrangeiros podem aportar com segurança no país.

 

Investimento

Os dois países são importantes aliados comerciais do Brasil. No caso da Rússia (17º lugar como mercado de destino das exportações), o governo planeja aprofundar mais os laços com o governo e investidores. Já em relação à Noruega (43º lugar como destino das exportações), a intenção é reaquecer os negócios, que decaíram após a crise econômica.

 

Fonte: Diário de Pernambuco
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